O louco pelo tempo

O tempo assusta-me,
Pois o próprio tanto nos dá a vida, como nos priva dela.
“Mais um dia é menos um dia”, dizem eles.
E o relógio continua tic-tac tic-tac.

Penso no tempo como se fosse ter mais controlo nele.
Mas de que me vale?
Ele passa-me por entre os dedos,
E com ele vão as memórias,
com ele vão os momentos,
com ele vai tudo.
E o relógio continua tic-tac tic-tac.

Há coisas que não vale a pena pensar,
Mas acredito que o tempo não seja uma delas,
O que não nos traz de volta,
Dá-nos em perspetiva.
Pois uma vez pensámos que havia sempre um amanhã,
E o relógio sempre continua tic-tac tic-tac.

Será amanhã? Ou será no outro dia a seguir?
Nunca saberemos qual é o último,
E essa também é a magia da vida.
Porque ao contrário deste poema que conseguimos perceber como acaba,
o tempo apenas nos apanha desprevenidos.
E um dia, o relógio não continua.