Escrever e singularidades do pensamento

Tenho uma extrema dificuldade em escrever conjuntamente com outras pessoas. Quando algo me obriga a tal, geralmente não costuma ser muito produtivo. Escrever para mim é sagrado e tem de ser feito individualmente.

O facto de pensar como penso é devido à singularidade de pensamentos. Enquanto escrevo, as palavras que acabam por ficar no papel são aquelas que passam pela minha cabeça de forma mais clara. Quando alguém de fora fala, enquanto penso para escrever, as palavras que transmite entram em colisão com as que penso, resultando numa salganhada de palavras e também numa folha em branco.

Por estas e por outras é que cada vez que escrevo gosto mais de o fazer em silêncio total. E mais, não só sinto isto para a escrita, como também para a leitura.

Crítica a “O Conde de Monte Cristo” de Alexandre Dumas

Escrevo este artigo trinta minutos depois de acabar esta grande obra (‘”grande” tanto no sentido literário como no sentido físico, pois a mesma consiste em dois volumes com cerca de 1200 páginas na sua totalidade). Mas, apesar da sua dimensão, não é uma leitura que se deva deixar de parte por este mesmo motivo. É uma obra que quando se começa quer-se continuar a ler, o que torna tudo muito mais fácil e prazeroso.

O autor narra a história de Edmond Dantès, um marinheiro de um navio de Marselha que, quando ainda muito novo, lhe foi roubado a liberdade e o amor por um grupo de homens que o incriminaram de ser um suspeito bonapartista. Isto levou a que fosse preso e a que mais tarde, quando saísse, procurasse vingar o amor e a liberdade perdida.

Esta é facilmente uma das melhores obras que já li. Dada a sua dimensão, sinto que o autor não deixou qualquer ponta solta tendo explicado tudo e conseguido também criar uma ligação entre o leitor e as personagens.

Esta é uma narrativa que se centra na vingança, na dor e no amor. É um livro que nos ensina que só é possível experienciar a maior das felicidades quando já experienciámos a maior das tragédias.

Por fim, deixo uma citação referente a uma dessas partes do livro:

“Não há felicidade nem infelicidade no mundo, há apenas a comparação de um estado com o outro, nada mais. Aquele que sentiu a dor mais profunda é quem melhor pode apreciar a suprema felicidade. É preciso ter querido morrer, (…) para saber o quanto é bom viver.”

Trabalhar por um limitado período de tempo

Muito tenho escrito nos últimos tempos sobre métodos de trabalho e pequenos truques que podem ajudar no decorrer do nosso trabalho. Podes ler por exemplo este, este e este artigo. Mas com o Podcast de Lex Fridman com Clara Sousa-Silva, decidi partilhar o método que esta última costuma utilizar no dia-a-dia.

Clara Sousa-Silva afirmou que pretende trabalhar diariamente 4 horas de extremo foco. Ou seja, período esse em que está completamente submersa e integrada no trabalho que está a fazer. No entanto, sabe que na realidade costuma ter 8 horas de trabalho não tão focado devido a urgências que aparecem no decorrer do dia. Quando atingido esse tempo, ele pára de trabalhar, pois sabe que a partir daí a produtividade começa a descer e deixa de valer a pena.

Para além de Clara definir um período de tempo de trabalho diário, ela afirma que prefere não trabalhar nos finais do dia e aos fins de semana, dizendo que isso faz dela melhor cientista pois dá-lhe tempo de lazer e de recarregar energias para a próxima sessão.

Trabalho de verdade não requer muitas horas, requer sim qualidade e foco. Este é um bom exemplo disso.

Comunicação que transparece entusiasmo

Hoje dei por mim a lembrar-me do podcast que ouvi ontem de Lex Fridman com Clara Sousa-Silva. Ontem escrevi um artigo sobre ele, podes lê-lo aqui.

O que hoje me fez recordar a conversa que ontem ouvi foi a comunicação de Clara. Ela fala como poucos. Faz com que o diz pareça fácil e acessível para todos. E, diria eu, mais importante de tudo, consegue passar o seu entusiasmo do que fala para quem ouve.

Após ouvir o episódio fiquei muito interessado sobre o espaço e sobre a possibilidade de vida noutros planetas. Quebrei algumas conceções que tinha pré-adquiridas e aprendi outras. É um episódio que toda a gente deveria ouvir. Deixo novamente aqui o link. Podes clicar aqui para ouvi-lo.

Uma pessoa interessante – Clara Sousa-Silva

Hoje ouvi o mais recente Podcast de Lex Fridman com Clara Sousa-Silva e fiquei surpreendido como não conhecia esta cientista portuguesa. Clara Sousa-Silva faz parte do Departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e tem dedicado a sua vida a detetar planetas habitáveis através da espetroscopia. Com uma pequena pesquisa encontrei este pequeno artigo da RTP que fala um bocado do seu trabalho.

Clara Sousa-Silva é definitivamente uma das pessoas das quais quero acompanhar o seu trabalho. Rendi-me a este episódio de Lex Fridman pela sua personalidade, pelas suas ideias e pela sua ética de trabalho.

Se ainda não a conheces, aconselho-te vivamente a ler um bocadinho do seu trabalho.

Duas pessoas pensam sempre melhor que uma

Por muito que alguém goste de trabalhar e de aprender sozinho, uma segunda pessoa, quando alinhada com a primeira, esta consegue aprender muito mais e mais rápido.

Enquanto uma pessoa consegue subir no seu conhecimento sem depender de ninguém, duas conseguem pegar no que cada uma sabe, resultando em mais conhecimento no final. É importante sabermos aprender e trabalhar sozinhos, mas é necessário também saber os benefícios que traz quando isto é realizado em grupo. E claro, há-que saber tirar proveito disso mesmo.

Só se aprende fazendo

Todos os dias alguém escreve um novo livro ou artigo sobre como aprender ou melhorar as capacidades em alguma área. Mas a verdade é que ninguém aprende a fazer algo lendo.

Com a minha jornada a aprender Python e Machine Learning, muitos são os artigos com que me deparo do tipo “Como aprender X em 5 passos”, “Como melhorar Y em 3 semanas”. Apesar de serem títulos chamativos, não nego, e é por isso que mais pessoas escrevem e continuam a escrever, tenho consciência que consumir esse conteúdo não nos ajuda realmente a melhorar.

Nós aprendemos praticando consistentemente. Aprendemos tentando uma e outra vez, analisando os resultados para na tentativa a seguir tentarmos de uma forma melhor. Ler pode ajudar a conhecermos mais sobre aquilo que estamos a perseguir, mas não nos fará mais capacitados.

Um dia mergulhado em estatística

Escrevo este artigo precisamente às 17h12. Desde as 8h30 que estou a trabalhar no software SPSS para fazer uns testes de hipóteses para o meu Projeto de Investigação para a Faculdade. É a primeira vez que trabalho com esta ferramenta, não a acho muito intuitiva e ainda não consegui fazer aquilo que tinha planeado.

Espera-se um longo dia pela frente. Escrevo estas palavras como pausa e acabo de escrevê-las para voltar ao trabalho. O lado positivo é que estou a aprender a cada tentativa que faço. Mais tarde ou mais cedo, tudo sairá de forma mais fluida e simples.

Dias de incerteza

Há dias que não são tão claros. Há dias que não sabemos o que é suposto fazer e isso é normal. Não temos de saber tudo. Temos de abraçar esses dias e fazer hoje os possíveis para que o amanhã seja melhor.

Se não houvessem dias de incerteza não saberíamos perceber o quão favorável é o outro lado do espelho. E é havendo dias de incerteza que também sabemos como lidar com eles.

Dias de incerteza servem para nos dar esta perspetiva. Servem para percebermos que nem tudo é um mar de rosas e quando as coisas são difíceis, é porque são difíceis. Mostram-nos também muitas vezes que para algo melhorar realmente temos de pegar em nós próprios e fazer algo para mudar, caso contrário, a incerteza só continua.

Pega nos teus dias de incerteza e reflete neles.